sexta-feira, 1 de abril de 2011
Um olhar sobre a Reforma
sábado, 5 de março de 2011
Psiquiatra analisa assassina da menina Lavínia e diz que ela pode ter transtorno
Psiquiatra analisa assassina da menina Lavínia e diz que ela pode ter transtorno
Dr. Antônio Geraldo, Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, fala ao Programa Mais Você sobre o caso
O Mais Você dessa quinta-feira, 3 de março, falou sobre a morte violenta da menina Lavínia, de 6 anos, no Rio de Janeiro.
Lavínia foi encontrada morta ontem em um hotel no centro de Duque de Caxias, na baixada fluminense. Um cadarço de sapato foi usado para asfixiar a garota. A amante do pai de Lavínia, Luciene Santana, de 24 anos, confessou ter matado a menina e teve prisão temporária decretada pela justiça. As pessoas, revoltadas com o crime, acompanharam a chegada de Luciene à carceragem da Polinter de Magé.
Ana Maria aproveitou esse triste acontecimento para desabafar: “Até onde pode ir a maldade de uma pessoa? O que faz o ser humano perder a capacidade de discernir? De separar o certo do errado e agir sem dó nem piedade contra uma criança?”, disse.
Ao vivo do cemitério do Corte Oito, em Duque de Caxias, a repórter Gabriela de Palhano, contou que tentou conversar com a mãe de Lavínia, mas ela não quis gravar entrevista. O pai estava em choque, muito abalado. A jornalista conversou com eles fora das câmeras e disse que mãe estava confiante que menina estaria viva e bem e ninguém esperava por isso. Segundo a polícia, Luciene tinha obsessão pelo amante Rony e vivia numa margem de miséria. Ele pagava aluguel pra ela. A polícia contou também que Luciene já tinha um histórico problemático, ela foi levada para o Conselho Tutelar quando criança pela mãe.
MAIS VOCÊ RELEMBRA CASOS DE VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇA
Parente da vítima fala sobre a reação da mãe
Ana Maria conversou com uma prima da pequena Lavínia, a advogada Adriana Santana da Silva. Ela fala da reação de Andreia, e compara com o caso do goleiro Bruno. “Ela me faz lembrar o pai da Eliza Samúdio. Ela fala calmamente e chora o tempo todo, mas compenetrada. É surpreendente”. Adriana acha que ainda há coisas a serem reveladas. “A gente só acredita que será revelado o que aconteceu quando quebrarem o sigilo telefônico. “A principio, a Luciene matou a Lavínia logo assim que a pegou. O dinheiro que estava pedindo, era pra proprocioar a fuga. Ela é uma pessoa ardilosa. O tempo todo, ela queria incriminar o marido, tanto que ela chamou ele pra ir ao hotel com ela. Para jogar a culpa nele. A mente dela é ardilosa", disse.
“Neste momento me divido em duas. A prima e a dvogada. O que me da força é a certeza que a justiça vai ser feita. A gente acha que as penas sao muito brandas. Uma pessoa condenada a 30 anos, em breve está na rua. Vou advogar neste caso. Irei acompanhar, assistir a acusação, para ter certeza que a Lavinia não voltamais, mas a justiça vai ser feita.”
Psiquiátra analisa o caso
Ana Maria conversou também com Antônio Geraldo Silva, Presidente da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, que estuda a mente dos criminosos. “Neste caso, por tudo que ouvi, penso em algo que possa ter uma relação ao tipo de gente que chamamos de ‘mentes criminosas’, que antigamente eram denominados psicopatas ou sociopatas”.
Segundo o psiquiatra, esse transtorno está ligado à história de vida da pessoa. No caso da Luciene, desde 12 anos de idade ela já tem problemas com o Conselho Tutelar. “Estas pessoas têm uma imaturidade, deficiência afetiva, não tem a ver com doença mental. Elas pensam apenas em si mesmas. Elas querem satisfação imediata”, disse.
“Estas pessoas mentem compulsivamente. Acha que os outros não percebem que elas mentem. Ela acredita na mentira dela, e elas vivem neste funcionamento. Normalmente são pessoas superficiais, com charme superficial. Não tem tratamento, não tem uma comprovação cientifica que tem tratamento".
Saiba como aconteceu
Tudo começou por volta das três horas da manhã de segunda-feira. Quando o pai chegou em casa, Lavínia acordou, foi a última vez que Andréia viu a filha com vida. A menina teria voltado a dormir e, pela manhã, Lavínia não estava mais lá. A janela e a porta da casa foram encontradas abertas. A família pensou que se tratava de um sequestro e ainda tinha esperanças de encontrar a menina.
Logo após o desaparecimento da menina o pai acusou a amante. Luciene tentou culpar o ex-marido pelo desaparecimento da menina. Ontem, no decorrer do dia, as provas contra Luciene ficaram mais evidentes. Funcionários do hotel onde foi encontrado o corpo da menina reconheceram a amante de Ronei.
Luciene chegou a se encontrar com o pai de Lavínia pedindo dinheiro para dizer onde estaria a menina. Tios e primos dele que acompanhavam o encontro de longe, chamaram a polícia. Ainda antes da confissão, a polícia divulgou imagens que não deixam dúvidas sobre a participação de Luciene no crime. o circuito interno de um ônibus de Caxias mostra que Lavínia estava com ela logo após a menina ter sido tirada de casa.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Intento Sucida e Antidepressivos
O risco da prescrição de um Antidepressivo, prescrição muito comum entre clínicos e outros especialistas não psiquiatras, é o de DESINIBIR os processos psicomotores e liberar o Impulso suicida.
Em outras palavras: o uso pouco discriminado de Antidepressivos está relacionado ao Suicídio.
É com essa introdução que eu peço aos colegas que evitem ao máximo a prescrição dos Antidepressivos, mesmo por que TODOS ELES, indistintamente, de primeira, segunda ou terceira geração (as chmadas pró-drogas, sem metabolismo de primeira passagem hepática), TEM UMA LATËNCIA DE DUAS A QUATRO SEMANAS para produzir os efeitos antidepressivos, além de produzirem aumento de ansiedade inicial.
É recomendável, em solicitação da ABP aos demais clínicos, que se usem Ansiolíticos de alta potência em baixas dosagens, como o clonazepam e o alprazolan (até 0.5 mg) uma vez ao dia ou 0.25 mg sob demanda; até a visita ao psiquiatra.
Sendo a Depressão, como as demais entidades psiquiátricas de Exclusivo Diagnóstico Clínico, é óbvio que este precisa ser muito bem feito e não ser um subdiagnóstico relacionado a fases da vida ou momentos hormonais ou sazonais. ( Não há, Não há mesmo Diagnóstico de Transtorno de Humor por Imagem ou dosagem sérica de serotonina ou Lítio)
Tristeza não é Depressão. Luto não é Depressão e contr-indica o uso de antidepressivos. Melancolia não é Depressão, é traço de Personalidade.
Flávio Mussa Tavares
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
JUNTAR BUGIGANGAS
Não existe vida nem história sem objetos, dizem os antropólogos.
Isso explica os museus, as coleções de selo e até a pilha de revistas no canto da estante.
Não explica, porém, como e por que cada vez mais há quem adore (e estoque) bugigangas que, segundo a definição do dicionário, já deveriam estar no lixo.
"Objetos são muito mais simbólicos do que funcionais. Eles têm valor afetivo", diz o antropólogo Everardo Rocha, da PUC-Rio.
"Cada um quer ser curador da própria vida, ter uma coleção imensa de objetos. Muitas pessoas não sabem mais o que é lixo e o que não é."
A antropóloga e pesquisadora da Unicamp Valéria Brandini diz que os objetos carregam escolhas. Por isso é tão difícil jogar fora algo que, para os outros, não passa de quinquilharia.
"Livrar-se de uma roupa velha pode significar perder uma parte de você, mesmo sabendo que aquilo pode ser útil para alguém."
EU OU O LIXO
A princípio, não há nada de errado em acumular coisas. Até que suas coleções sejam tantas que passem a incomodar alguém.
O comerciante Sérgio Valente, 42, não aguentava mais viver junto com as roupinhas de bebê de seus filhos, já adolescentes.
Sua esposa, Neide, 41, publicitária, fazia questão de guardar tudo. Tinha pilhas de roupas de todos os tamanhos (para usar se engordasse), utensílios de cozinha velhos e congelados vencidos.
"Ela é desorganizada e dizia que não tinha tempo para arrumar. Dei um basta e insisti para contratarmos alguém que ajudasse nisso."
Foram 11 dias de trabalho de uma especialista em organização e mais de 60 sacos de lixo de cem litros. E muitas coisas ainda ficaram.
De acordo com a psiquiatra Ana Gabriela Hounie, da Associação Brasileira de Psiquiatria, o colecionismo (mania de guardar objetos), quando em excesso, pode ser sintoma de transtorno obsessivo-compulsivo ou estar associado a depressão.
Essas pessoas guardam dúzias de garrafas PET, escovas ou pilhas de enlatados.
"Sempre há uma justificativa. Elas dizem que pode ser útil, que vão usar no futuro. Mas, no fim, nunca usam."
O psiquiatra Alvaro Ancona de Faria, da Unifesp, explica que ter um histórico de dificuldades financeiras pode desencadear o problema.
"É um tipo de insegurança. Como se ela precisasse ter gasolina de reserva mesmo com o tanque cheio."
Segundo Hounie, é difícil diferenciar o colecionismo saudável do transtorno. Muitas vezes, além de guardar, a pessoa compra sem controle.
Os casos mais extremos aparecem com a Síndrome de Diógenes --uma referência ao filósofo grego que vivia dentro de um barril.
Quem tem a síndrome vive no meio do lixo, com pouca atenção à higiene, em um ato de autonegligência.
"Há pessoas ricas assim. É um transtorno difícil de ser tratado porque quem tem não se incomoda", afirma a psiquiatra Bárbara Perdigão, autora de um artigo sobre o assunto publicado na última edição do "Jornal Brasileiro de Psiquiatria".
Muitas vezes, nem terapia resolve. E, quando a casa é limpa, pouco tempo depois já volta a ficar como antes.
SEM LUXO
No fim de 2008, o empresário e escritor americano Dave Bruno, 39, decidiu que ia tentar viver com apenas cem objetos pessoais durante o ano seguinte.
Foi o que ele chamou de "100 Thing Challenge" (o desafio das 100 coisas).
O desafio foi vencido sem dificuldades, diz ele. Tanto é que, mesmo depois de terminá-lo, continua vivendo com pouco. Na última contagem, em agosto de 2010, tinha 94 pertences, incluindo as peças de roupa e descontando meias e cuecas.
"Eu não acho que há alguma coisa sem a qual eu não poderia viver. Só não me livraria da minha aliança", disse ele à Folha.
A escritora Letícia Braga, 39, decidiu viver com pouco depois de perder o marido e se ver em uma casa cheia de coisas que não usava.
Mudou para um apartamento bem menor e deixou para trás móveis, revistas, eletrodomésticos e roupas.
A experiência rendeu um livro: "O Prazer de Ficar em Casa" (Casa da Palavra, 80 págs., R$ 14,90).
"Tenho um fogão de quatro bocas e quatro panelas. Tenho só uma gaveta de utensílios, e olha que gosto de cozinhar", diz.
ENTÃO LIBERA
Não é preciso ser tão minimalista, mas para a filosofia chinesa do Feng Shui, já passou da hora de dar destino às coisas inúteis que você insiste em dizer que não são lixo.
"Objetos sem utilidade ocupam espaço físico e mental e dificultam a organização das ideias", diz Maria Elena Passanesi, especialista em cosmologia chinesa.
Para a organizadora Ingrid Lisboa, bagunça é sinal de que algo está sobrando. "O descarte é o primeiro passo da organização", afirma.
Segundo ela, todo mundo sempre tem algo no fundo do armário que não usa. Mesmo as pessoas mais organizadas e menos consumistas.
"Roupa velha é o que mais guardam. A peça não serve, está fora de moda, e a pessoa pensa que vai voltar a usar um dia. Só se for a uma festa do ridículo."
DESCARTE
SEM PENSAR
Tudo o que estiver quebrado ou velho demais. Vale para louças amareladas, panelas e potes de plástico sem tampa (ou tampas sem potes de plástico) e roupas velhas
PASSADO
Com alimentos e cosméticos é simples: passou a data de validade, lixo. Mas travesseiros, plásticos e escovas de dentes também vencem. Potes plásticos costumam ter validade de dois anos
NÃO COMPENSA
O conserto pode sair mais caro do que comprar um novo. É o caso de casacos de pele, peças de couro ou de verniz. A maioria dos eletrodomésticos também é descartável, como aparelhos de DVD e liquidificadores
PARADOS
Se você comprou faz um tempo e nunca usou, provavelmente nunca vai usar. Se você já usou, há uma tolerância. Alguns dizem que, para roupas, o prazo é dois anos. Para utensílios de cozinha, um ano
VÁRIOS DO MESMO
Três xampus pela metade, esmaltes da mesma cor e cremes iguais. Separe dois ou três e se livre do resto. Revistas e jornais com matérias não lidas podem ser recortados e guardados. Por que não imprimir receitas em vez de guardar pilhas de revistas que têm só uma receita boa?
PURGATÓRIO
Quando não tiver certeza se vai usar ou não um objeto, separe e deixe em um local visível por um tempo, como se estivesse de castigo. Coloque um limite de tempo (um mês, por exemplo). Se não usar durante esse tempo, é melhor doar
LIBERADOS
As exceções para as regras de uso são os sobretudos, casacos clássicos, agasalhos usados em viagens internacionais ou roupas esportivas (mergulho ou esqui) usadas em viagens. Livros de estimação e utensílios de cozinha temáticos e sazonais como formas de biscoito de Natal também são perdoados
PASSE ADIANTE ROUPAS, ELETRODOMÉSTICOS E MÓVEIS
APAE DE SÃO PAULO
Atende pessoas com deficiência intelectual
Aceita doações de brinquedos, livros, eletrodomésticos, roupas e móveis que serão usados pela própria instituição ou vendidos em bazares
Como doar: Retira em casa. Tel. (11) 5080-7123, SP; www.apaesp.org.br
CASAS ANDRÉ LUIZ
Atende crianças com deficiência mental
Aceita móveis, utensílios domésticos, livros, roupas, calçados etc. Tudo é vendido nas lojas do Mercatudo Casas André Luiz.
O dinheiro é revertido para a instituição
Como doar: Retira na região de São Paulo, Campinas e Sorocaba. Tel. (11) 2459-7000, SP; www.mercatudo.org.br
AACD
Atende crianças com deficiência física
Aceita roupas, sapatos, bijouterias e brinquedos em bom estado que serão vendidos em bazares
Como doar: Os produtos devem ser entregues na AACD, r. Pedro de Toledo, 1.620, Vila Clementino, SP, de segunda a sexta, das 8h às 17h; www.aacd60anos.com.br
LAR ESCOLA SÃO FRANCISCO
Atende pessoas com deficiência física e mobilidade reduzida
Aceita livros, roupas, brinquedos, móveis e eletrônicos em bom estado para o bazar da entidade
Como doar: Retira em casa. Tel. (11) 5908-7899, SP; www.lesf.org.br
EXÉRCITO DE SALVAÇÃO
Auxilia populações atingidas por desastres naturais e vítimas de conflitos
Aceita roupas, móveis, brinquedos, sapatos, livros, computadores ou outros objetos que serão destinados a famílias carentes ou bazares
Como doar: Retira em casa. Tels. (11) 4003-2299, SP ou (21) 4003-2299, RJ; www.exercitodoacoes.org.br
PORTAL DA AJUDA
Cadastra entidades que precisam de doação, recebe e distribui o que é arrecadado
Aceita eletrodomésticos, móveis, roupas, brinquedos, material escolar, livros, itens de cozinha, itens de informática, material de construção etc. Os produtos são destinados a mais de 40 entidades
Como doar: Retira em casa. Tel. (11) 5181-1330, SP; www.portaldajuda.org.br. É possível escolher para qual entidade você quer doar
FUNDAÇÃO ABRINQ
Desenvolve ações e projetos relacionados à proteção dos direitos da infância e da adolescência
Aceita qualquer tipo de doação. O material é repassado para instituições parceiras
Como doar: Dependendo da doação, retira em casa. Tel. (11) 3848-4908, SP; www.fundabrinq.org.br
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
As memórias do médico...
E é justamente no resgate desse sonho que eu queria simbolizar a minha singela homenagem aos colegas de Campos.
Que todos busquemos no recôndito de nossos arquivos mentais, a memória daquela semente que germinou. A memória do sonho. A memória do idealismo. A memória do sentimento. A memória da empatia. A memória da simplicidade. A memória da ingenuidade. A memória da bondade. A memória da imaginação. A memória das fantasias. A memória da expectativa. A memória dos anos de faculdade. A memória da vontade da desistência. A memória das noites perdidas de estudo. A memória do primeiro plantão. A memória de ter feito um parto, uma sutura, aliviado uma dor...pela primeira vez. A memória da residência. A memória do sufoco financeiro. A memória de ter ido a pé para o Hospital. A memória do primeiro fracasso. A memória dos arrependimentos. A memória de ter perdido a memória. E finalmente a memória de poder resgatar as memórias. E quem sabe, de forjar memórias do futuro. De forjar memórias projetadas. De forjar memórias em nossos filhos. De forjar memórias em nossos netos. De chorar. De ter saudade. De voltar a sonhar. De voltar aos primeiros ideais, aos primeiros sentimentos, a sentir empatia, a ser ingênuo, alegrar-se por ser bom. Enfim, chorar ao escutar de alguém que não pode nos pagar materialmente um: "muito obrigado doutor(a)!"
Flávio Mussa Tavares
sábado, 5 de junho de 2010
O HOMEM NÃO ACEITA MAIS FICAR TRISTE
Compartilho com os amigos do portal essa entrevista do professor e médico psiquiatra Miguel Chalub, dada a Adriana Prado na "ISTOÉ" número 2115 dessa semana.
O médico aponta o uso desnecessário de remédios para curar simples tristezas. Aponta também lobby da indústria farmacêutica como má influência e médicos mal informados ou despreparados como cúmplices. No fundo parece que a busca humana pela felicidade (prazer negativo ou positivo) encontra uma nova "solução". E quer solução mais moderna que uma pílula? Só se fosse por download mesmo.
“Uma das maiores autoridades brasileiras em depressão, o médico diz que, hoje, qualquer tristeza é tratada como doença psiquiátrica. E que prefere-se recorrer aos remédios a encarar o sofrimento.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que a depressão será a doença mais comum do mundo em 2030 – atualmente, 121 milhões de pessoas sofrem do problema. Para o psiquiatra mineiro Miguel Chalub, 70 anos, há um certo exagero
nessas contas. Ele defende que tanto os pacientes quanto os médicos estão
confundindo tristeza com depressão. “Não se pode mais ficar triste, entediado,
porque isso é imediatamente transformado em depressão”, disse em entrevista à
ISTOÉ.
Professor das universidades Federal (UFRJ) e Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), ele afirma que os psiquiatras são os que menos receitam antidepressivos, porque estão mais preparados para reconhecer as diferenças entre a “tristeza normal e a patológica”. Mas o despreparo dos demais especialistas não seria o único motivo do que o médico chama de “medicalização da tristeza”. Muitos profissionais se deixam levar pelo lobby da indústria farmacêutica. “Os laboratórios pagam passagens, almoços, dão brindes. Você, sem perceber, começa a fazer esse jogo.”
ISTOÉ- Por que tantas previsões alarmantes sobre o aumento da depressão no mundo?
Miguel Chalub - Porque estão sendo computadas situações humanas de luto, de tristeza, de aborrecimento, de tédio. Não se pode mais ficar
entediado, aborrecido, chateado, porque isso é imediatamente transformado em
depressão. É a medicalização de uma condição humana, a tristeza. É transformar
um sentimento normal, que todos nós devemos ter, dependendo das situações, numa
entidade patológica.
ISTOÉ- Por que isso aconteceu?
Miguel Chalub - A palavra depressão passou a ter dois sentidos. Tradicionalmente, designava um estado mental específico, quando a pessoa estava triste, mas com uma tristeza
profunda, vivida no corpo. A própria postura mostrava isso. Ela não ficava
ereta, como se tivesse um peso sobre as costas. E havia também os sintomas
físicos. O aparelho digestivo não funcionava bem, a pele ficava mais espessa.
Mas, nos últimos anos, a palavra depressão começou a ser usada para designar um
estado humano normal, o da tristeza. Há situações em que, se não ficarmos
tristes, é um problema – como quando se perde um ente querido. Mas o
homem não aceita mais sentir coisas que são humanas, como a tristeza.
ISTOÉ- A que se deve essa mudança?
Miguel Chalub - Primeiro, a uma busca pela felicidade. Qualquer coisa que possa atrapalhá-la tem que ser chamada de doença, porque, aí, justifica: “Eu não sou feliz porque estou
doente, não porque fiz opções erradas.” Dou uma desculpa a mim mesmo. Segundo,
à tendência de achar que o remédio vai corrigir qualquer distorção humana. É a
busca pela pílula da felicidade. Eu não preciso mais ser infeliz.
ISTOÉ - O que diferencia a tristeza normal da patológica?
Miguel Chalub - A intensidade. A tristeza patológica é muito mais intensa. A normal é um estado de espírito. Além disso, a patológica é longa.
ISTOÉ- Quanto tempo é normal ficar triste após a morte de um ente querido, por exemplo?
Miguel Chalub - Não dá para estabelecer um tempo. O importante é que a tristeza vai diminuindo. Se for assim, é normal. A pessoa tem que ir retomando sua
vida. Os próprios mecanismos sociais ajudam nisso. Por que tem missa de sétimo
dia? Para ajudar a pessoa a ir se desonerando daquilo.
ISTOÉ - Ainda há preconceito com quem tem depressão?
Miguel Chalub - Não. É o contrário. A vulgarização da depressão diminuiu o preconceito, mas criou outro
problema, que é essa doença inexistente. Antes, a pessoa com depressão era
vista como fraca. Hoje, as pessoas dizem que estão deprimidas com a maior
naturalidade. Não se fica mais triste. Se brigar com o marido, se sair do
emprego, qualquer motivo é válido para se dizer deprimido. Pode até ser que
alguém fique realmente com depressão, mas, em geral, fica-se triste. O
sofrimento não significa depressão. E não justifica o uso de medicamentos.
ISTOÉ - Os médicos não deveriam entender este processo?
Miguel Chalub - Os médicos não estão isentos da ideologia vigente. O que acontece é: você vem ao meu
consultório. Eu acho que você não está deprimido, que está só passando por uma
situação difícil. Então, proponho que você faça um acompanhamento psicoterápico.
Você não fica satisfeito e procura outro médico, que receita um antidepressivo.
Ele é o moderno, eu sou o bobão. Para não ser o bobão, eu receito um
antidepressivo logo. É uma coisa inconsciente.
ISTOÉ - Inconsciente?
Miguel Chalub - Os médicos querem corresponder à demanda. Senão, o paciente sairá achando que não foi bem atendido. Receitando um antidepressivo, eles correspondem à demanda,
porque a pessoa quer ser enquadrada como deprimida. Mas há a questão dos
laboratórios. Eles bombardeiam os médicos.
ISTOÉ - A ponto de influenciar o comportamento deles?
Miguel Chalub - Se for um médico com boa formação em psiquiatria, mesmo que não seja psiquiatra, ele saberá rejeitar isso, mas outros não conseguem. Eles se baseiam nos
folhetos do laboratório. Não é por má-fé. Os laboratórios proporcionam muitas
coisas. Pagam passagens, almoços, dão brindes. O médico, sem perceber, começa a
fazer o jogo. Porque me pagaram uma passagem aérea ou me deram um laptop, acabo
receitando o que eles estão querendo.
ISTOÉ - O médico se vende?
Miguel Chalub - Sim. Por isso é que há uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibindo os laboratórios de dar brindes aos médicos. Nenhum laboratório
suborna médico, não que eu saiba, nem vai chegar aqui e dizer: “Se você
receitar meu remédio, vou lhe dar uma mensalidade.” Mas eles fazem esse tipo de
coisa, que é subliminar. O médico acaba tão envolvido quanto se estivesse
recebendo um suborno realmente.
ISTOÉ - Esse lobby é capaz de fazer um médico receitar certo remédio?
Miguel Chalub - Aí é a demanda e a lei do menor esforço. Se o paciente chegar se queixando de insônia, por exemplo, o que o médico deveria fazer era ensiná-lo como dormir.
Ou seja, aconselhar a tomar um banho morno, um copo de leite morno, por exemplo.
Mas é mais fácil, tanto para o paciente quanto para o médico, receitar um
remédio para dormir.
ISTOÉ - Os demais especialistas também receitam remédios psiquiátricos, não?
Miguel Chalub - Quem mais receita antidepressivos não são os psiquiatras, são os demais especialistas. Os psiquiatras têm uma formação para perceber que primeiro é
preciso ajudar a pessoa a entender o que está se passando com ela e depois, se
for uma depressão mesmo, medicar. Agora, os outros, não querem ouvir. O
paciente diz: “Estou triste.” O médico responde: “Pois não”, e receita o
remédio. Brinco dizendo o seguinte: se você for a um clínico, relate só o
problema clínico. Dor aqui, dor ali. Não fale que está chateado, senão vai sair
com um antidepressivo. É algo que precisamos denunciar.
ISTOÉ - Os psiquiatras deveriam ser os únicos autorizados a receitar esse tipo de medicamento?
Miguel Chalub - Não acho que seja motivo para isso. Os outros especialistas têm capacidade de receitar, desde que não entrem nessa falácia, nesse engodo.
ISTOÉ - Mas os demais especialistas estão capacitados para receitar essas drogas?
Miguel Chalub - Em geral, não.
ISTOÉ - É comum o paciente chegar ao consultório com um “diagnóstico” pronto?
Miguel Chalub - É muito comum. Uma vez chegou um paciente aqui que se apresentou assim: “João da Silva, bipolar.” Isso é uma apresentação que se faça? Quase respondi: “Miguel
Chalub, unipolar.” É uma distorção muito séria.
ISTOÉ - O acesso à informação, nesse sentido, tem um lado ruim?
Miguel Chalub - A internet é uma faca de dois gumes. É bom que a pessoa se informe. A época em que o médico era o senhor absoluto acabou. Mas a informação via Google ainda é
precária. Muitas vezes, a depressão, por exemplo, é ansiedade. Mas as pessoas
não querem conviver com a ansiedade, que é uma coisa desagradável, mas que
também faz parte da nossa humanidade. Tenho uma paciente que disse: “Ando com
um ansiolítico na bolsa. Saí de casa, me aborreci, coloco ele para dentro.”
Então é isso? Se alguém me fala algo desagradável, eu tomo um ansiolítico? Isso
é uma verdadeira amortização das coisas.
ISTOÉ - O que causa a depressão?
Miguel Chalub - Esse é um dos grandes mistérios da medicina. A gente não sabe por que as pessoas ficam deprimidas. O mecanismo é conhecido, está ligado a uma substância chamada
serotonina, mas o que o desencadeia, não sabemos. Há teorias, ligadas à
infância, a perdas muito precoces, verdadeiras ou até imaginárias – como a
criança que fica aterrorizada achando que vai perder os pais. As raízes da
depressão estão na infância. Os acontecimentos atuais não levam à depressão
verdadeira, só muito raramente. Justamente o contrário do que se imagina. Mas
mexer na infância é muito doloroso. Não tem remédio para isso. Precisa de
terapia, de análise, mas as pessoas não querem fazer, não querem mexer nas
feridas. Então é melhor colocar um esparadrapo, para não ficar doendo, e
pronto. É a solução mais fácil.
ISTOÉ - O antidepressivo é sempre necessário contra a depressão?
Miguel Chalub - Quando é depressão mesmo, tem que ter remédio.
ISTOÉ - Há quem diga que hoje a moda é ter um psiquiatra, não um analista. O que sr. acha disso?
Miguel Chalub - As pessoas estão desamparadas. Desamparo é uma condição humana, mas temos que enfrentá-lo, assim como o fracasso, a solidão, o isolamento. Não buscar
psiquiatras e remédios. Em algum momento, isso pode ficar tão sério, tão agudo,
que a pessoa pode precisar de uma ajuda, mas para que a ensinem a
enfrentar a situação. Ensina-me a viver, como no filme. Não é me dar pílulas,
para eu ficar amortecido.
ISTOÉ - O que é felicidade para o sr.?
Miguel Chalub - A OMS tem uma definição de saúde muito curiosa: a saúde é um completo estado de bem-estar físico, mental e social. Essa é a definição de felicidade, não de
saúde. Felicidade, para mim, é estar bem consigo mesmo e com o outro. Estar bem
consigo mesmo é também aceitar limitações, sofrimento, incompetências,
fracassos. Ou seja, felicidade também é ficar triste de vez em quando.”
sábado, 26 de dezembro de 2009
VENDA DE ANTIDEPRESSIVOS NO BRASIL CRESCE 45%
Venda de antidepressivos no Brasil cresce 44,8% em 4 anos, diz pesquisa
Transtornos mentais são a 3ª causa de afastamento do trabalho no país.
Crescimento econômico favorece consumo; especialista alerta sobre uso.
Ligia Guimarães
A venda de medicamentos antidepressivos e estabilizadores do humor cresceu 44,8% no Brasil em quatro anos, aponta levantamento realizado a pedido do G1 pela IMS Health, instituto de pesquisa que faz auditoria do mercado de medicamentos para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O volume de vendas desses medicamentos cresceu de R$ 674,7 milhões nos 12 meses acumulados até outubro de 2005 para R$ 976,9 milhões no mesmo recorte até outubro de 2009. As valores referentes a 2005 foram atualizados com base nos reajustes máximos permitidos pela Anvisa, que considera também a inflação do período.
O tatuador Cezar Marchetti cortou o uso de antidepressivos, mas manteve os calmantes. O mercado brasileiro de antidepressivos cresce acima da média mundial há pelo menos cinco anos, segundo Marcello Monteiro, diretor da IMS Health de linhas de negócios para América Latina e responsável pelo levantamento.
“O Brasil faz parte de um grupo de países classificados como “farmaemergentes”: Brasil, Rússia, Índia, Coréia, México e Turquia. Juntos, eles respondem por 50% do crescimento mundial do mercado de medicamentos”, afirma o executivo.
Dados da Previdência Social apontam que os transtornos mentais e comportamentais, como a depressão, são a terceira causa de afastamento do trabalho no Brasil. "Há uma série de doenças que a gente acha que são mais incapacitantes, mas o efeito da depressão sobre os brasileiros é muito grande", diz o médico psiquiatra Duílio Antero Camargo, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e coordenador da comissão técnica de saúde mental da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anant).
Estímulo econômico
Segundo o diretor da IMS Health Marcello Monteiro, boas notícias no Brasil como o crescimento da economia, o aumento de renda dos trabalhadores e o envelhecimento da população estão entre os principais fatores que favorecem o aumento das ocorrências de tratamento dos “males urbanos” que, além de transtornos mentais e depressivos, incluem doenças como diabetes, hipertensão e obesidade.
“O forte processo de urbanização pelo qual o Brasil ainda passa estimula o consumo desse tipo de medicamento: as taxas de crescimento são menores que na Europa, por exemplo, onde essa urbanização já acabou”, diz Monteiro.
Pressão profissional
Para o médico psiquiatra Duílio Antero Camargo, do Hospital das Clínicas, elementos presentes nas relações de trabalho contemporâneas como concorrência, acúmulo de tarefas, falta de apoio social e desemprego aumentam a incidência de transtornos mentais entre os brasileiros.
“Com as mudanças hoje em dia da organização do trabalho, muitas das causas da depressão estão ligadas aos relacionamentos diante do trabalho, como o estresse ocupacional ou relacionado ao mercado, desemprego e o mundo organizacional”, diz o psiquiatra.
Desde o vestibular
Foi a ansiedade para escolher a profissão na época do vestibular que levou o relações-públicas Pedro Azeredo Boschi, de 31 anos, a iniciar tratamento com medicamentos antidepressivos sob prescrição médica. "Chorava muito e estava desanimado", diz.
Hoje desempregado, ele diz que a pressão e a dificuldade para conseguir trabalho
Preconceito e benefícios
Para a jornalista Cátia Moraes, 49 anos, autora do livro "Eu Tomo Antidepressivo - Graças A Deus!", da editora Best Seller, a ampliação do acesso a esse tipo de medicamento é positiva, desde que haja recomendação e acompanhamento médico. Na opinião dela, o uso de antidepressivos ainda é alvo de resistência e preconceito.
Cátia teve a adolescência marcada pela experiência de ver o pai, "alegre e extrovertido", perder o emprego e a vontade de viver por conta de uma depressão severa. Hoje, ela lamenta a escassez e a ineficiência das opções de tratamento disponíveis na época.
"Fizemos na época todo tipo de tratamento: choque, psquiatria. Naquele tempo, nos anos 70, não se falava em depressão ou antidepressivo. Ele morreu quando eu tinha uns 15 anos, de um AVC", diz.
Há um preconceito em relação a esses medicamentos como não há em relação a outros. Se alguém faz tratamento para diabetes, problemas no coração, hipertensão, ninguém questiona"
Quando a própria Cátia começou a apresentar crises de ansiedade, angústia e taquicardia, no final dos anos 90, ela resistiu a iniciar o tratamento, mesmo com a recomendação de seu psquiatra.
"Foi se criando um bicho-papão. A gente via meu pai indo a médico e tomando aquele monte de remédio que não adiantava nada. Eu tinha preconceito (em relação a antidepressivos)", diz.
O uso dos medicamentos, garante, melhorou radicalmente sua qualidade de vida e lhe deu mais energia e foco. "Eu trabalhei a minha vida inteira abaixo da minha capacidade", avalia.
Peso no orçamento
O tatuador Cezar Augusto Marchetti, de 31 anos, começou em
"Eram medicamentos caros, todos são", diz Cezar que, desde que foi morar sozinho passou a buscar os medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS), mediante a apresentação da receita médica.
"Gastava uns R$ 80, R$ 100 por mês. Sem condições", conta Marchetti, que desde o ano passado cortou os antidepressivos e manteve apenas o uso de calmantes algumas vezes por semana. "Parei porque os efeitos colaterais, como a tremedeira, me atrapalhavam no trabalho", diz.
O preço do Lexapro, que está entre os dez medicamentos mais vendidos no Brasil, segundo a IMS, varia de R$
“Tristeza pontual não é doença e no entanto está sendo medicada”, diz o especialista"
"As primeiras vezes em que eu prescrevi antidepressivos, há cerca de 20 anos, alguns pacientes vieram para devolver a receita porque não dava para comprar, eram muito caros. Hoje eles são vendidos a preços acessíveis", conta o psiquiatra Duílio Antero Camargo, do Hospital das Clínicas.
Consumo exagerado
Na avaliação do vice-diretor do Hospital Dia do Instituto de Psquiatria do Hospital das Clínicas Elko Perissinotti, é preciso saber diferenciar um quadro de depressão clínica de tristezas pontuais naturais do ser humano antes de buscar apoio nos medicamentos.
“Remédio a gente deve tomar quando a gente está doente, e de preferência bastante doente. Não existe nenhum remédio no mundo para nenhuma doença que só tenha efeitos benéficos”, afirma.
Para Perissinotti, o uso de antidepressivos tem sido sobrevalorizado por pacientes e médicos, o que pode trazer riscos para a saúde e sequelas emocionais.